De Pero Vaz de Caminha à Raquel de Queiróz

Literatura

Falar sobre a história da literatura brasileira é falar também das nossas origens portuguesas e das influências estrangeiras em nossa cultura. Apesar da emancipação conseguida com o
romantismo, é inegável a matriz portuguesa de nossos escritos. Os primeiros livros escritos no Brasil surgiram ainda no período colonial e mantiveram fortes vínculos com a metrópole
portuguesa. Os períodos da nossa literatura são conhecidos como:
- Quinhentismo (séc. XVI), representado pela literatura Jesuíta ou de Catequese. Os principais nomes desta fase foram o Padre José de Anchieta e Pero Vaz de Caminha.
- Barroco (séc. XVII), caracterizado pela dicotomia mundo espiritual x mundo material. Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno), Bento Teixeira (Prosopopéia) e Padre Antônio
Vieira (Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes) são seus principais interlocutores.
- Arcadismo ou Neoclassicismo, séc. XVIII ciclo do ouro. Tem Minas Gerais como palco e é marcado pela influência das idéias do iluminismo francês. Destacam-se os seguintes autores: José de Santa Rita Durão, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Basílio da Gama.
- Romantismo, primeira metade do séc. XIX, se distingui pela vinda da família real e a modernização do país, culminando na independência em 1822 e o nacionalismo ascendente. Fundamentado no egocentrismo, nacionalismo, liberdade de expressão, individualismo, retomada dos fatos históricos importantes, idealização da mulher, espírito criativo e sonhador, valorização da liberdade e o uso de metáforas. Principais autores são: José de Alencar, Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Castro Alves.
- Realismo / Naturalismo, segunda metade do séc. XIX, foco na realidade social, problemas e conflitos do ser humano. Caracteriza-se por linguagem popular, objetivismo, valorização de personagens inspirados na realidade, trama psicológica, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica da realidade. Inaugurado pela obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis o realismo teve neste autor seu principal nome. O Naturalismo, que é conhecido como radicalização do realismo, tem Aluísio de Azevedo como seu interlocutor mais renomado.
- Parnasianismo, fim do séc. XIX e início séc. XX, prezava pelo rigor formal e poesia descritiva. Suas características: preciosismo, objetividade e impessoalidade, arte pela arte, culto à forma.
Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho são seus autores mais conhecidos.
- Simbolismo (final do séc. XIX), linguagem abstrata e sugestiva, misticismo e religiosidade. Foco nos mistérios da morte e dos sonhos, textos impregnados de subjetivismo. Cruz e Souza e
Alphonsus de Guimaraens são alguns dos autores dessa corrente.
- Pré-Modernismo, de 1902 a 1922, período assinalado pela transição do Simbolismo para o Modernismo. Foca-se no regionalismo, positivismo, busca dos valores tradicionais, linguagem
coloquial e valorização dos problemas sociais. Principais autores: Euclides da Cunha (Os Sertões), Monteiro Lobato, Lima Barreto (Triste Fim de Policarpo Quaresma) e Augustos dos
Anjos.
- Modernismo, de 1922 a 1930, eclode com a Semana de Arte Moderna, tem Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira como porta-vozes. Assinalado pelo nacionalismo, temas do cotidiano (urbanos), linguagem com humor, liberdade no uso de palavras e textos diretos.
- Neo-Realismo, de 1930 a 1945, ocorre da retomada da crítica social, denúncias dos problemas brasileiros. Reaparecem também os assuntos místicos, urbanos e religiosos. Autores renomados
como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Raquel de Queiróz e Jorge Amado são os romancistas desse período. Na poesia aparecem Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles.
Falar sobre a literatura contemporânea é tarefa complicada, pois quando se analisa a literatura é necessário certo distanciamento que não é só funcional, mas temporal. Podemos apontar nomes
de destaque na contemporaneidade João Cabral de Melo Neto (1920 – 1998), Clarice Lispector, Ferreira Gullar, entre outros. Além, é claro, de Paulo Coelho, que ganhou fama mundial.
Já sobre o público contemporâneo podemos apontar que consome excessivamente literatura “importada” e livros de auto-ajuda.
Entre a lista atual (junho 2011) dos livros mais vendidos, os brasileiros que se destacam são Saga Brasileira, de Miriam Leitão; Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de
Leandro Narloch; 1822, de Laurentino Gomes; 1808, do mesmo autor, entre outros.

Para acessar o portal da Revista Veja que disponibiliza a lista, o link é http://veja.abril.com.br/livros_mais_vendidos/?gclid=CK_e1d3itqkCFYnu7QodzULg4w.

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